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Exclusivo: Festejámos 20 anos de carreira com DJ Kwan

O icónico DJ de Carcavelos, membro dos Mundo Complexo, encontra-se a celebrar os seus 20 anos de carreira. Não deixámos passar ao lado a oportunidade fazer parte deste acontecimento.

Por isso mesmo temos uma routina completamente exclusiva no nosso canal no YouTube apresentada em baixo, assim como uma entrevista feita com alguns tópicos que gostámos de ouvir Kwan falar.

Esta é a terceira rotina disponibilizada do formato que irá assinalar e marcar a importante data nas diversas plataformas ligadas à nossa cultura Hip-Hop.

Qual foi o dia em que decidiste ter uma carreira como DJ? 20 anos depois o que mudou?
Não me lembro de ter havido um dia específico, foi mais um processo gradual e muito ligado ao crescimento dos Mundo Complexo naturalmente. O meu inicio de carreira quase que se confunde com o inicio dos Mundo Complexo, sendo que um ano e pouco após ter começado a fazer scratch juntei-me ao projeto, que já existia. O que me lembro sim foi da vibe que ficou em Portugal em 1998 após a visita dos X-Ecutioners para uma atuação na Expo 98. Acho que serviu de motivação para muita gente, nomeadamente turntablists e foi nessa altura que comecei a fazer scratch, muito influenciado pelo Dj Nelassassin, Cruzfader ou Dj 30 Paus. Eu já tinha pratos e misturava vinil, mas essencialmente rock. Já estava bastante envolvido na cultura Hip-Hop porque andava muito com os PRM (1º Crew de Graffiti português) mas foi a partir de 1998, quando tomei maior contato com o turntablism, que me apaixonei pelo scratch e pus as mãos na massa.
Muito mudou nestes 20 anos obviamente. O mundo mudou e nós também. Hoje o Hip-Hop será provavelmente o género musical mais consumido no mundo, a própria forma das pessoas consumirem música mudou drasticamente com a internet, os dj´s assumiram um papel de destaque que antes era ocupado por bandas. Em Portugal a cultura Hip-Hop, essencialmente através dos rappers, cresceu imenso e hoje faz parte da cultura nacional e podia continuar durante horas.   
Para mim há um sentimento de comunidade e de pertença a um movimento que se mantém inalterado ao longos destes 20 anos e que está presente em quase tudo o que faço e espero que assim continue. 
 
Qual a chave para te conseguires manter ao longo de duas décadas no activo?
Na essência de tudo está o amor que tenho pela Música. Depois ajuda ter uma mentalidade aberta no que toca aos diferentes géneros musicais, o que me permitiu não estagnar e ir acompanhado a evolução dos gostos do público. Mas a maior chave é sem dúvida teres pessoas que apoiam o teu trabalho e que continuam a querer ir ver-te tocar. Sem isso nada existe. Para manteres esse interesse do público tens que trabalhar muito, produzir conteúdos interessantes e estar atualizado na Música que tocas, mas sem esquecer os clássicos e sem esquecer de onde vieste. Se fores genuíno e fiel aos teus princípios vais ter sucesso e as pessoas respeitam. Não toco música que não gosto só para agradar a todos e também não toco só para o meu umbigo, e acho que isso faz toda a diferença. 
 
 
Consegues nos dizer uma noite ou um palco memorável que tenhas pisado?
Felizmente tive muitos e bons momentos ao longo destes 20 anos e às vezes é difícil de destacar um. Vou destacar dois:  Em 2003 e uns meses antes da edição do nosso primeiro disco (Mundo Complexo), tocámos no Coliseu de Lisboa antes de De La Soul, e com outros projetos portugueses como os Micro ou Sam The Kid. Sou um grande fã dos De La Soul, aliás todos nós na banda éramos, e foi um momento marcante num ano muito importante para nós.
Outra atuação que destaco é de 2016, no palco secundário do Meo Sudoeste, a convite dos Orelha Negra. Tive oportunidade de apresentar Kwanspiracy para cerca de 40 mil pessoas, um espetáculo customizado para esse dia onde manipulava som e imagem em simultâneo através de scratch. 
 
 
Foi certamente necessária uma adaptação constante tanto as necessidades do público, assim como às diferentes variantes do Rap que vão surgindo ao longo dos anos. Dentro de tudo o que tem sido feito e aparece, consegues ver uma ligação ao Hip-Hop? Inseres esses sub-géneros com facilidade nos teus DJ sets?
Sim, essa adaptação é necessária mas no meu caso até é bastante natural porque não só ouço e gosto de diferentes géneros musicais como inclusivé gosto de tocar nos meus sets muita coisa para além de Hip-Hop. Há essa vontade da minha parte de tocar diferentes tipos de música e nem sempre vejo uma ligação ao Hip-Hop, o que não é necessariamente mau.  
 
Na tua opinião, qual o ponto de situação do movimento DJing (dentro do Hip-Hop claro) em Portugal? O que achas que pode melhorar?
Tem crescido o numero de dj´s que tocam Hip-Hop, uns porque realmente gostam e outros porque está na moda e há uma maior pre-disposição das pessoas para ouvir o génreo. É também muito mais fácil, graças às novas tecnologias, ter acesso à musica e ter as ferramentas para ser dj. Posto isto, há inevitavelmente coisas boas e coisas más associadas a esta generalização do dj que toca Hip-Hop, e em última análise cabe às pessoas distinguir o real do falso. Há muito mais dj´s a tocar Hip-Hop mas muitos deles fazem os mesmos sets que o dj do lado e arriscam muito pouco ou nada, esquecendo que há uma responsabilidade que nós dj´s temos: de alguma forma educar o público ou no mínimo mostrar alguma musica nova. Acho que estamos numa fase estranha em que muitos promotores, clubs e bares preferem pagar pouco ou nada a um miudo que está começar e que toca os hits todos que consegue facilmente sacar da net. Não nos podemos esquecer da cultura e de onde isto tudo veio. Do trabalho de muitos anos que muita gente desenvolveu para chegarmos a este ponto. Felizmente nem todos os promotores são assim e há muitos dj´s novos com qualidade e na verdade tenho tido a sorte e também o cuidado de trabalhar e estar perto desses. Mas há muito a melhorar neste sentido.
Outro aspeto que gostaria de ver melhorado tem a ver com a área mais especifica do turntablism nacional e das competições de scratch. Nos últimos anos simplesmente  não têm acontecido em Portugal e acho que isso é necessário para elevar o nível, tal como aconteceu no passado. Da mesma maneira fazem falta mais demos e eventos como as scratch jams dos Scratchers Anónimos para juntar os dj´s numa espaço permitindo a partilha de informação e consequente melhoria do nivel.
 
 
Podemos contar contigo nos próximos anos? Tens projetos futuros já agendados e em fase de preparação?
Como diz o Jorge Palma, "Enquanto houver estrada pra andar, a gente vai continuar". Enquanto sentir que sou relevante como dj e que consigo ser original e fazer as pessoas dançar, podem contar com o Kwan. Este ano tenho muito planeado para celebrar os 20 anos, algumas iniciativas já anunciadas como os videos da série 20/20, os live streaming especiais a partir do meu sótão ou a edição de música nova. Há também muita coisa por anunciar e eventos especiais que vão acontecer, e assim que puder darei conta. Espero que me acompanhem em 2018, vai ser um ano muito interessante e com muitos desafios.
 
 
 
Em nome de toda a equipa Rap Notícias, os nossos sinceros parabéns para DJ Kwan e um grande obrigado por todo o trabalho desenvolvido em prol da cultura Hip-Hop do nosso país. 
 
Texto por João Moura; Fotografias cedidas por DJ Kwan

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